Antes
A travessia
A barca de madeira, empurrada à vara, levava gente e carga de uma margem à outra. Antes das pontes, era assim que Janeiro de Cima chegava ao outro lado do Zêzere.
Aldeia do Xisto · Fundão · Rio Zêzere
Uma aldeia de casas de xisto com seixos brancos do Zêzere nas paredes, onde ainda se ouve “Ó da barca!”. Há um parque fluvial para mergulhar no verão, teares a trabalhar na Casa das Tecedeiras e cabrito no forno a lenha ao domingo.
A aldeia
Há 27 Aldeias do Xisto, mas só uma tem as paredes salpicadas de pedras redondas do rio. São seixos rolados, cor de mel e brancos, apanhados no Zêzere e assentes entre as lajes de xisto. É a assinatura de Janeiro de Cima, das paredes das casas à calçada das ruas.

56 seixos nesta parede. Nas casas da aldeia são milhares, postos à mão, um a um.
No chão, calçada de seixos do rio. Nas paredes, seixos redondos cor de mel e brancos entre fiadas de lajes finas de xisto, com pedras grandes nos cunhais.
A igreja caiada, de torre às riscas pretas e brancas, espreita por cima dos telhados de barro.
Muitas casas sobem por fora: degraus de xisto encostados à fachada, alpendres de madeira, vasos de flores e varandas de ferro.
Entre as casas abrem-se quelhas, passagens estreitas e inclinadas onde só se anda a pé.
Os teares continuam a trabalhar. Aqui faz-se o ciclo do linho, da planta ao pano.
A Rua do Rio desce entre socalcos e muros de xisto até ao Zêzere: o açude, as barcas e a roda de água. Ó da barca!
Desenhada a partir da casa da fotografia. Passe pelos números (ou toque neles) para ver cada parte.
Telha de barro vermelha, com o beiral a sair da parede para afastar a chuva da pedra.
Pedra da terra, assente à mão: fiadas de lajes finas e escuras de xisto e, entre elas, seixos rolados do Zêzere, grandes e redondos, cor de mel e brancos. Nos cunhais, pedras maiores e aparelhadas. É esta mistura que dá a Janeiro de Cima a sua cor.
Por cima das portas, uma pedra grande e lisa, a padieira, segura a parede. As janelas têm molduras de pedra e as portas são de madeira. A porta larga de baixo dava para a loja.
Grades de ferro forjado nas janelas do andar de cima, onde se vivia.
Degraus de lajes de xisto encostados à fachada. Tradicionalmente, a casa vivia-se em cima e o piso térreo guardava alfaias, lenha e animais.
Vasos de barro com flores nos degraus e nos parapeitos. A pedra fica mais bonita com cor.
Candeeiros de braço presos às paredes. À noite, são eles que iluminam as ruas e as quelhas. Experimente o modo noite.
Calçada de seixos do rio, irregulares, cor de mel e cinzentos. Em algumas ruas corre ao meio uma guia de lajes de xisto. Nos degraus e nas soleiras, lajes inteiras.
Rio
O ponto de encontro com o Zêzere. Tem relvado, sombra, açude e bar de praia. Daqui saem as barcas rio acima e aqui se dão os mergulhos de verão.
Rio
“Ó da barca!” era o grito para atravessar o Zêzere, e era assim que a aldeia se ligava à outra margem. Hoje a barca faz passeios rio acima.
Rio
Junto ao parque fluvial, a grande roda de madeira recuperada, com alcatruzes, ainda gira com a corrente do Zêzere. Ao lado, a calha sobre postes e a levada.
Cultura
Centro interpretativo do ciclo do linho, com teares, utensílios e trabalho ao vivo das tecedeiras.
Património
Quelhas estreitas e casas de xisto com seixos brancos do rio encastrados nas paredes. É a marca de Janeiro de Cima entre as Aldeias do Xisto.
Património
A Igreja de Nossa Senhora da Assunção, do século XVIII, foi o centro à volta do qual a aldeia cresceu. Há ainda a Igreja Nova, três capelas e vários cruzeiros.
Natureza
Gravuras rupestres na margem do rio, testemunho de gente que passou pelo Zêzere muito antes da aldeia existir.
Natureza
A melhor vista sobre o vale, a aldeia e as curvas do Zêzere.
À mesa
No centro da aldeia. Cabrito no forno a lenha, chanfana, maranhos e polvo à lagareiro.
A freguesia chegou aos 720 habitantes em 1940. Em 2011 eram 306. É por isso que cada festa, cada mercadinho e cada visita contam.
Fonte: INE, Recenseamentos Gerais da População (anos de 1864 a 2011).
O rio
No Parque Fluvial da Lavandeira, o açude acalma o rio e transforma a margem num relvado onde toda a gente se encontra. De junho a setembro é aqui que se passa o dia.

Espaço para estender a toalha à beira da água, com árvores para as horas de mais calor.
Represa a água do Zêzere e faz uma bacia calma para nadar. É a “praia” da aldeia.
Para um café, uma bebida fresca ou um petisco sem sair do parque, na época balnear.
Atracadas à margem, prontas para subir o rio quando há barqueiro.
A roda de água
Junto ao parque fluvial está a roda de água recuperada: uma grande roda de madeira, com alcatruzes à volta, que a corrente faz girar. A água que sobe segue por uma calha sobre postes, ao lado de uma casinha de xisto e da levada.
É memória de um tempo em que o Zêzere não era só para nadar: era o rio que trabalhava para a aldeia. Fica no caminho do PR2, pouco antes do fim.
Percurso pedestre · PR2 FND
O Caminho do Xisto de Janeiro de Cima (PR2 FND) é um percurso pedestre circular de 10 km, de dificuldade média, que se faz em 3 a 4 horas. Começa e acaba no Largo da Igreja Nova e passa pelo vale do Zêzere, pela velha estrada dos Covões, pelo açude do Esteiro e pelo Parque Fluvial da Lavandeira.
Passe o cursor (ou o dedo) sobre o perfil para ver a altitude.
Sabores e saberes
A mesa da Beira Baixa é farta e sem pressa. E há coisas que não se comem: o linho que as tecedeiras ainda trabalham à mão, no centro da aldeia.
À mesa
O prato de domingo da Beira Baixa. Assado devagar em forno de lenha, até a pele estalar.
Onde: Restaurante O Fiado, no centro da aldeia
À mesa
Bucho de cabra recheado com carne, arroz, chouriço e hortelã, cozido lentamente. Um clássico da Beira que se come à mesa d’O Fiado.
Onde: Restaurante O Fiado, que também serve chanfana e polvo à lagareiro
À mesa
Milho partido e cozido em papas grossas, a comida dos serões de desfolhada. Voltaram à mesa na Caminhada Noturna “Rota do Milho”.
Onde: Nas iniciativas do G. D. Tigres do Zêzere
Época: Setembro, no tempo do milho
À mesa
Vinte panelas, vinte receitas de casa. O Festival de Sopas junta a aldeia no Largo da Igreja Nova, e há quem leve gaspacho, que não vai ao lume.
Onde: Festival de Sopas, em setembro
Época: Setembro
Doces e vinho
Massa estendida à mão, frita na hora e passada por açúcar e canela. Aparecem nas bancas do Mercadinho e em todas as festas.
Onde: Mercadinho de Janeiro, ao 3.º domingo do mês
Doces e vinho
Vinho doce e forte, de mosto travado com aguardente. É com um copo de geropiga que acabam as debulhas.
Onde: Em casa de quem a faz; pergunte na aldeia
Da terra
A aldeia está cercada de oliveiras e ainda tem uma rua com o nome do lagar. O azeite novo chega em novembro, verde e picante.
Onde: Produtores locais e Mercadinho de Janeiro
Época: Novembro a janeiro
Da terra
O concelho do Fundão é a terra da cereja em Portugal. Em maio e junho as árvores da Cova da Beira ficam carregadas.
Onde: Concelho do Fundão
Época: Maio e junho
Feito à mão
Na Casa das Tecedeiras, os teares antigos continuam a trabalhar. Faz-se ali o ciclo do linho, da planta ao pano, e tecem-se toalhas e tapeçarias por encomenda.
Onde: Casa das Tecedeiras, no centro da aldeia
Próximos eventos
Mercadinho ao terceiro domingo do mês, festas de verão, música tradicional no parque fluvial. Guarde a data na sua agenda com um toque.
Adro da Igreja Nova, Rua José Carvalho
Comércio, produtos da terra, artesanato, petiscos, trocas e conversa. O mercado da aldeia monta-se no adro ao terceiro domingo do mês.
Data deduzida do calendário habitual. Confirme perto do dia na página da aldeia.
Adro da Igreja Nova, Rua José Carvalho
Mercadinho de outono no adro, com produtos da terra, artesanato, petiscos e trocas. Em novembro é tempo de azeite novo e de castanhas.
Data deduzida do calendário habitual. Confirme perto do dia na página da aldeia.
Adro da Igreja Nova, Rua José Carvalho
O último mercadinho do ano calha a cinco dias do Natal. Boa ocasião para procurar presentes feitos na região.
Data deduzida do calendário habitual. Confirme perto do dia na página da aldeia.
Centro da aldeia
A festa da primavera, no primeiro fim de semana de maio, como nas edições que a página da aldeia divulgou em 2018 e 2019. As datas de 2027 ainda não foram anunciadas.
Data deduzida do calendário habitual. Confirme perto do dia na página da aldeia.
Perguntas frequentes
Para datas e novidades, a fonte mais atual é a página de Janeiro de Cima no Facebook.
Janeiro de Cima fica na margem esquerda do rio Zêzere, no concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco. Pertence à União das Freguesias de Janeiro de Cima e Bogas de Baixo e é uma das 27 Aldeias do Xisto. As coordenadas são 40° 04′ 05″ N, 7° 48′ 03″ O.
São seixos rolados do rio Zêzere. Em Janeiro de Cima as paredes de xisto levam seixos brancos e redondos encastrados, e é isso que distingue a aldeia das outras Aldeias do Xisto.
Sim. Antigamente gritava-se “Ó da barca!” para atravessar o rio, porque era a barca que ligava a aldeia à outra margem. Hoje as barcas saem do Parque Fluvial da Lavandeira em passeios rio acima, sobretudo no verão.
No Parque Fluvial da Lavandeira, junto ao açude do Zêzere, que tem relvado, sombra e bar. No verão é o ponto de encontro da aldeia. O açude do Esteiro, no Caminho do Xisto, também é bom para um mergulho.
Cozinha da Beira Baixa: cabrito no forno a lenha, maranhos, chanfana e polvo à lagareiro no Restaurante O Fiado, no centro da aldeia. Nas festas há filhoses, papas de carolo, sopas e geropiga.
O Mercadinho de Janeiro faz-se ao terceiro domingo do mês, das 8h às 13h, no Adro da Igreja Nova. Tem produtos da terra, artesanato, petiscos e trocas. As datas podem mudar, por isso confirme na página da aldeia no Facebook.
O principal é o PR2 FND, Caminho do Xisto de Janeiro de Cima: 10 km em circuito, de dificuldade média, com 3 a 4 horas de caminhada a partir do Largo da Igreja Nova. A aldeia também é ponto de passagem da Grande Rota do Zêzere (GR33), que vai da Serra da Estrela a Constância ao longo de 370 km.
É o centro interpretativo do ciclo do linho, no centro da aldeia. Tem teares e utensílios antigos e as tecedeiras trabalham ali ao vivo. O linho foi em tempos uma atividade importante em Janeiro de Cima.
Visitar
Janeiro de Cima fica na margem esquerda do Zêzere, no sul do concelho do Fundão. A A23 traz até à Beira Baixa; os últimos quilómetros são por estradas de serra que descem ao rio. As curvas fazem parte da viagem.
| De | Distância | De carro |
|---|---|---|
| Fundão | 42 km | ≈ 45 min |
| Covilhã | 54 km | ≈ 1 h |
| Castelo Branco | 57 km | ≈ 1 h |
| Coimbra | 99 km | ≈ 1 h 45 |
| Porto | 226 km | ≈ 3 h |
| Lisboa | 241 km | ≈ 3 h 15 |
Estimativas com dados do OpenStreetMap (OSRM), sem trânsito.